POMBO
FAZ MAL À SAÚDE
Pesquisador
diz que aves são uma praga que precisa ser combatida, não
alimentada
Longe
de representarem um símbolo de paz nos grandes centros urbanos,
os pombos errantes são uma praga ligada à transmissão
de várias doenças aos humanos, entre as quais a meningite
criptocócica e a toxoplasmose, além de outros agentes
patológicos, como a bactéria clamídia, causadores
de doenças respiratórias e pulmonares. No caso da toxoplasmose,
os pombos atuam mais como hospedeiros intermediários, por pisarem
locais contaminados pelo protozoário causador da doença.
Em relação ao fungo criptococos, que pode atacar os
pulmões, o cérebro e as meninges, a transmissão
pode ocorrer pelas vias respiratórias durante a limpeza de
ambientes freqüentados por pombos e contaminados com as fezes
da ave.
O veterinário
Antônio Messias Costa, pesquisador e coordenador do setor de
zoologia do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio
Goeldi (MPEG), explica que a melhor forma de combater o crescimento
da praga urbana que são os pombos errantes é a mudança
das condições que atraem as aves, como o alojamento
e a alimentação. "Do ponto de vista ético,
o ideal é proteger os possíveis locais de abrigos com
telas e redes, e cortar a alimentação que as pessoas
equivocadamente dão aos pombos de rua. Os pombos só
são atraídos para determinados lugares quando encontram
as condições ideais. É como os urubus que vivem
no Ver-o-Peso, e só vivem lá porque praticamente são
operários do local", diz Messias, ao ressaltar que, nos
casos em que os pombos passam a representar perigo para saúde
da família e esgotam-se todas as tentativas de expulsão,
deve-se adotar medida mais radical, como o extermínio, o que
só deve ocorrer em casos extremos. É claro que a prioridade
é a saúde do ser humano, mas essa é uma medida
radical, que só deve ser tomada como último recurso",
explica.
O veterinário
alerta ainda que tanto pombos como outros animais contaminados geralmente
não dão sinais clínicos de contaminação,
a não ser em casos de adquirirem outras doenças, principalmente
por vírus, que reduz as defesas do sistema imunológico
dos animais. Esses casos
de animais doentes, que acontecem também com outros animais,
como papagaios, periquitos e araras, faz com que eles adotem um comportamento
de tristeza que confunde as pessoas, principalmente as que compram
animais silvestres para colecionar e manter em cativeiro. "É
preciso ter muito cuidado com a compra de animais silvestres, que,
além de irregular na maioria dos casos, pode causar graves
danos à saúde das famílias, principalmente se
deixados em gaiolas e ambientes mal higienizados", orienta o
veterinário.
No caso
específico da toxoplasmose, embora os gatos contaminados sejam
um vetor de transmissão, o maior risco de contaminação
encontra-se nas carnes mal cozidas, que podem transmitir a doença.
No caso dos gatos domésticos, Messias diz que o risco pode
ser drasticamenete reduzido se os animais forem alimentados com ração,
em vez de restos de comida e principalmente de carnes cruas, que não
devem ser dadas aos animais. "É importante esclarecer
que, embora as fezes dos gatos sejam um importante meio de transmissão
e contaminação dos ambientes, principalmente dos locais
mais úmidos, os gatos não são a maior fonte de
transmissão da doença, como ocorre com os alimentos
mal cozidos, e não há necessidade de exterminar os animais",
diz Messias.
Já
em relação ao pombo contaminado, ele pode ser uma via
de transmissão não apenas mecânica, mas também
através da ingestão de suas carnes. "Ainda há
pessoas que gostam de comer carne de pombo mal passada, hábito
que se torna um risco para a transmissão de doenças
como a toxoplasmose", alerta, sendo que a contribuição
mais importante dos pombos está mesmo na infecção
por criptococos.
Animais
errantes, como os gatos, são transmissores de doenças
graves
Em um
estudo realizado há cinco anos no ambiente do Parque Zoobotânico
do MPEG, o veterinário Antônio Messias Costa detectou
a transmissão do protozoário da toxoplasmose através
dos gatos errantes que abandonados ou jogados para o interior do museu,
prática que há muito tempo a instituição
vem combatendo. Os exames dos animais eram feitos através de
sorologias pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), e os resultados mostraram
que alguns animais, como alguns tipos de primatas, preguiça
e outros arbóreos são mais vulneráveis ao protozoário
da toxoplasmose pelo fato de não terem mantido, ao longo de
sua existência, contato com o agente a ponto de desenvolver
defesas naturais.
Esse
contato, de acordo com Messias, ocorre com os demais animais e com
o ser humano, já que uma grande percela da população,
segundo Messias quase a metade, é positiva para a toxoplasmose,
isto é, pode ter tido algum contato com o agente, sem, no entanto,
desenvolver a doença, o que ocorre com maior freqüência
nos casos de imunodepressão, em que o organismo sofre baixa
no seu sistema de defesas. "Anos atrás, antes daquele
estudo, houve um surto de toxoplasmose no parque e nós chegamos
a perder alguns membros de uma população de primatas
da Amazônia, e depois descobrimos que a principal razão
era a baixa resistência ao protozoário", revelou.
O mesmo
problema, segundo Messias, acontece em países isolados como
a Austrália, que na história da formação
do continente da Oceania não teve contato com o toxoplasma
gondii, o que deixou o canguru, um dos maiores animais da Austrália,
muito mais vulnerável ao protozoário, embora ela seja
terrestre.
Praga
- Nas ruas do Centro Comercial e em praças de Belém
a presença de grupos de pombos é muito comum e faz parte
da paisagem. Porém, em alguns locais, essa presença
incomoda os moradores. A funcionária pública Simone
Alcântara mora em um residencial na travessa 9 de Janeiro e
sofre com a invasão de pombos pela janela do apartamento e
nas marquises do edifício. Ela já colocou duas vezes
tela nas janelas para evitar a entrada dos pombos. "A primeira
tela que coloquei não era de boa qualidade e eles arrebentaram
a rede em alguns pontos. Então, tive que trocar por uma melhor.
Eu não dou alimento a pombos, o problema é que eles
buscam abrigo no teto da minha sacada. É um barulho horroroso
e ninguém consegue dormir direito", reclama.
Na avenida
Presidente Vargas com a rua Ó de Almeida, os comerciantes e
ambulantes da área reclamam do execesso de pombos, mas o problema
é que algumas pessoas acabam alimentando as aves e contribuindo
para a sua reprodução rápida. "Aqui tem
alguns vendedores de lanches que dão resto de comida aos pombos.
Ele já se multiplicaram tanto aqui na frente que até
atrapalham as vendas", queixou-se o ambulante José Luiz
Souza, que ocupa uma barraca próximo aos Correios. A Praça
do Operário, em São Brás, é outro local
onde os vendedores também reclamam da presença dos pombos.
Os conjuntos
residenciais também são alvo da praga. No Conjunto Antônio
Queiroz, a moradora Joice de Souza diz que, além da grande
quantidade de pombos circulando pelo conjunto logo que amanhece, as
aves invadem os forros das casas, atrapalham o sono dos moradores
e se reproduzem desordenadamente. "A situação é
ainda mais grave em algumas casas fechadas do conjunto, onde os pombos
tomaram conta do forro ao pátio. Além do barulho que
eles fazem durante a noite, o mau cheiro das fezes incomoda adultos
e crianças, além do risco de doenças para nós",
reclama ela.
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